
Coceira, vermelhidão, descamação, lesões que vão e voltam… Muitas pessoas chegam ao meu consultório sem saber se têm dermatite, psoríase ou ‘alguma alergia de pele’.
Tanto a dermatite quanto a psoríase são condições muito comuns na população. Estima-se que 1 a cada 5 pessoas têm algum tipo de dermatite ou psoríase.
Ambas são crônicas, não contagiosas e podem impactar significativamente a qualidade de vida dos pacientes — física, emocional e social.
O objetivo deste texto é explicar, de forma clara e confiável
- O que é dermatite e os tipos de dermatites
- O que é psoríase
- Como diferenciá-las
- Quais são as possibilidades de tratamento
Sempre reforçando a importância do acompanhamento médico individualizado.
Médico especialista em dermatite e psoríase
Sou o Dr. Leonardo Faria, médico dermatologista especialista no tratamento da dermatite e da psoríase. Minha formação foi toda realizada nas melhores universidades do país, USP e Unicamp e hoje atuo em Campinas – SP.
Meu interesse nessas condições vem desde cedo, pois tenho dermatite atópica desde a infância. Essa jornada me trouxe algo que vai além da formação médica: uma compreensão real e profunda do que é viver com uma doença de pele crônica.
Lembro bem:
- Das noites mal dormidas pela coceira
- Das idas e vindas a pediatras, alergistas e dermatologistas
- E até da vontade de não sair de casa, para evitar olhares e perguntas sobre as feridas
Hoje, com a doença bem controlada, levo uma vida normal — com os cuidados que qualquer paciente com dermatite deve manter.
Sei que a consulta é apenas o início de um processo e busco acompanhar meus pacientes ao longo de todas as etapas do tratamento, garantindo assim um controle realmente eficaz.
Formei em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e em Dermatologia pela Universidade de São Paulo (USP), onde fiquei por mais um ano como preceptor de dermatologia dos alunos da Faculdade de Medicina da USP. Atualmente, sigo como médico colaborador no ambulatório de dermatite atópica do HC da USP e sou voluntário na Associação de Apoio à Dermatite Atópica ( https://www.aada.org.br/ ).




O que é Dermatite?
O termo dermatite significa, literalmente, inflamação da pele e é comum o uso da palavra eczema como sinônimo. Ela pode afetar diferentes faixas etárias e áreas do corpo.
E atenção: dermatite não é uma única doença, é um grupo de condições diferentes que têm uma coisa em comum: a pele inflamada.
Trata-se de um grupo de condições inflamatórias que podem ter diferentes causas, como fatores genéticos e imunológicos, alterações da barreira da pele, contato com substâncias irritantes ou alérgicas e influência de fatores ambientais e emocionais.
Cada tipo de dermatite apresenta características e tratamentos próprios, o que reforça a importância do diagnóstico correto.
O que a gente sente quando tem dermatite?
Os sintomas da dermatite podem variar de acordo com o tipo e a fase da doença, mas os mais frequentes são:
- Coceira (geralmente intensa)
- Vermelhidão
- Pele seca e sensível
- Descamação
- Feridas ou espessamento da pele em casos crônicos

Dermatite é contagiosa?
Não. Nenhum tipo de dermatite é contagioso.
Principais tipos de dermatite
Existem vários tipos de dermatite. Entre os mais comuns, destacam-se:
Dermatite Atópica
A dermatite atópica, também conhecida como eczema atópico, é uma doença inflamatória crônica da pele e uma das formas mais comuns de dermatite.
O que a gente sente quando tem Dermatite Atópica?
Ela se manifesta com:
- Coceira intensa e persistente
- Pele seca, sensível ou espessada
- Manchas avermelhadas ou escurecidas
- Descamação
- Feridas causadas pelo coçar
- Alterações do sono por conta da coceira
É mais comum no rosto, pescoço, mãos e nas dobras dos braços e pernas.
É muito frequente em crianças, mas pode continuar ou se iniciar na vida adulta.

O que causa a Dermatite Atópica?
Essa condição ocorre devido a uma combinação de fatores genéticos e ambientais, que afetam a barreira natural da pele, deixando-a mais sensível e suscetível a irritações e infecções.
O sistema imunológico dessas pessoas também tende a reagir de forma exagerada a substâncias que normalmente não causariam problemas, desencadeando inflamação e coceira.
O que pode piorar a Dermatite Atópica?
- Clima seco ou frio
- Suor excessivo
- Estresse emocional
- Tecidos ásperos ou sintéticos
- Sabonetes agressivos e produtos perfumados
- Alergias alimentares ou ambientais.

Como é o tratamento da Dermatite Atópica?
Apesar de não ter cura, a dermatite atópica pode (e deve) ser controlada. Com um plano de cuidados bem definido, é possível reduzir os sintomas, evitar crises e melhorar a qualidade de vida.
1. Hidratação da pele
Hidratantes específicos ajudam a reconstruir a barreira da pele e prevenir novas lesões.
2. Cuidados básicos com a pele — especialmente no banho
Algumas atitudes simples fazem toda a diferença no controle da dermatite:
- Evite banhos muito quentes e demorados (o ideal é banho morno e rápido)
- Use sabonetes suaves, de preferência sem fragrância e indicados para peles sensíveis
- Seque a pele com delicadeza, sem esfregar
- Aplique o hidratante logo após o banho (isso ajuda a manter a hidratação)
Esses cuidados diários são parte essencial do tratamento e ajudam a reduzir a frequência e a intensidade das crises.
3. Medicamentos tópicos (cremes ou pomadas)
- Corticoides e imunomoduladores são usados nas fases de crise para reduzir a inflamação local.

4. Tratamentos sistêmicos (comprimidos ou injeções)
Em casos moderados a graves, pode ser necessário o uso de:
- Fototerapia
- Imunossupressores
- Terapias biológicas (as chamadas “vacinas”, como o dupilumabe)
- Inibidores de JAK
5. Identificação de gatilhos
O acompanhamento médico ajuda a identificar fatores que agravam os sintomas, como clima, tecidos, estresse ou substâncias irritantes.
6. Acompanhamento contínuo
Cada paciente responde de forma diferente ao tratamento. Por isso, consultas regulares são fundamentais para ajustar as condutas conforme a fase da doença.
Dermatite de Contato
A dermatite de contato surge quando a pele entra em contato com substâncias que causam irritação ou alergia.
Tipos de Dermatite de Contato
Ela pode ser dividida em dois tipos principais:
- Dermatite de contato irritativa: causada por agentes que agridem diretamente a pele, como produtos de limpeza, sabonetes inadequados, álcool, solventes ou exposição excessiva à água.
- Dermatite de contato alérgica: é causada por uma reação errada do sistema imunológico a substâncias específicas, como níquel, fragrâncias, conservantes presentes em cosméticos ou medicamentos tópicos.
Os sintomas incluem vermelhidão, coceira, ardor, descamação e, em alguns casos, formação de bolhas.
Tratamento da Dermatite de Contato
O tratamento envolve a identificação da substância que está causando o quadro e evitá-la, a hidratação adequada da pele e, em muitos casos, o uso de corticoides tópicos para reduzir a inflamação e a coceira.
Em casos mais complexos, um teste de contato, chamado patch test, pode ajudar a identificar exatamente quais substâncias estão causando a alergia.

Dermatite Seborreica
A dermatite seborreica, popularmente chamada de caspa, é outro tipo bem comum de dermatite.
Como saber se tenho Dermatite Seborreica?
Caracterizada por áreas de vermelhidão e descamação nas regiões ricas em glândulas sebáceas, como:
- Couro cabeludo
- Sobrancelhas
- Laterais do nariz
- Região central do peito
Nos bebês, essa condição é conhecida como crosta láctea.

O que causa a Dermatite Seborreica
A causa não é totalmente compreendida, mas acredita-se que acontece por causa de um fungo chamado Malassezia, que vive normalmente na nossa pele. Esse fungo adora gordura, por isso cresce mais nas regiões oleosas, como couro cabeludo, sobrancelhas e nariz.
O problema é que, em algumas pessoas, o sistema imunológico reage de forma exagerada a ele, causando inflamação, vermelhidão e descamação. Ou seja, não é um fungo “do mal”, mas uma resposta incorreta do corpo que acaba gerando os sintomas.
Está relacionada a fatores como predisposição genética, atividade das glândulas sebáceas, presença do fungo Malassezia e influência do estresse. Não está relacionada à falta de higiene e não é contagiosa.
Tratamento da Dermatite Seborreica
O tratamento envolve shampoos específicos para a condição, contendo antifúngicos ou agentes anti-inflamatórios, além de manter a pele limpa e hidratada. Em casos mais persistentes, pode ser necessário o uso de cremes ou loções com corticoides em baixas concentrações para reduzir a inflamação e até medicações por via oral.
Dermatite Perioral
A dermatite perioral é uma inflamação da pele que acomete principalmente a região ao redor da boca, podendo se estender para o nariz e os olhos. É mais comum em adultos jovens e caracteriza-se pelo aparecimento de pequenas bolinhas avermelhadas ou pequenas bolhas com pus.
Está frequentemente associada ao uso prolongado de cremes de corticoides no rosto, além de alguns cosméticos, cremes dentais e produtos irritantes. O tratamento envolve a retirada aos poucos dos fatores desencadeantes e o uso de medicamentos específicos orientados pelo dermatologista.

O que é Psoríase?
A psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele que acontece porque o sistema de defesa do corpo passa a funcionar de forma desregulada. Isso faz com que a pele se renove muito mais rápido do que o normal.
A psoríase não é uma doença contagiosa e não ocorre por falta de higiene. Ela pode surgir em qualquer fase da vida e variar bastante de intensidade de uma pessoa para outra.
O que a gente sente quando tem psoríase?
Os sinais clássicos incluem:
- Lesões avermelhadas bem delimitadas
- Descamação grossa, geralmente esbranquiçada ou prateada
- Lesões nos cotovelos, joelhos, couro cabeludo, costas e unhas
- Coceira (nem sempre presente)

A Psoríase é contagiosa?
Não. A psoríase não é contagiosa e não pode ser transmitida por contato físico.
O que causa a Psoríase?
A psoríase tem uma base genética, ou seja, existe uma predisposição herdada. No entanto, apenas a genética não explica tudo.
Para que a doença se manifeste ou piore, geralmente há a atuação de alguns fatores desencadeantes. Entre os principais estão:
- Estresse emocional
- Infecções
- Traumas na pele (cortes, atritos, queimaduras)
- Uso de alguns medicamentos
- Consumo excessivo de álcool
- Tabagismo
Esses fatores não causam a doença sozinhos, mas podem desencadear ou agravar os surtos em quem já tem predisposição.

Tratamento da Psoríase
Embora a psoríase não tenha cura, hoje existem tratamentos muito eficazes que permitem controlar a doença e melhorar significativamente a qualidade de vida.
O tratamento é sempre individualizado e pode incluir:
- Medicamentos de uso tópico (aplicados diretamente na pele)
- Fototerapia (tratamento com luz controlada)
- Medicamentos sistêmicos, por via oral ou injetável
- Terapias imunobiológicas, as chamadas “vacinas”
Além dos medicamentos, cuidados com a pele, controle do estresse, sono adequado e adesão ao tratamento fazem toda a diferença no controle da doença.

Dermatite e Psoríase: quais são as diferenças?
Embora dermatite e psoríase possam causar vermelhidão e descamação na pele, elas apresentam diferenças importantes:
- Origem da doença: a dermatite costuma estar relacionada a inflamação da pele por fatores como alergias, irritantes, alterações da barreira natural da pele e predisposição genética. Já a psoríase é uma doença imunomediada, em que o sistema de defesa do corpo atua de forma desregulada.
- Coceira: na dermatite, a coceira é um sintoma muito frequente e, muitas vezes, intenso. Na psoríase, a coceira pode existir, mas nem sempre está presente.
- Aparência das lesões: as lesões da dermatite geralmente têm limites menos definidos e podem variar bastante de aparência. Na psoríase, as placas costumam ser bem delimitadas, mais espessas e facilmente reconhecíveis.
- Descamação: na dermatite, a descamação tende a ser mais fina. Na psoríase, a descamação costuma ser mais grossa e esbranquiçada, muitas vezes descrita como prateada.
Entender essas diferenças é fundamental, pois o diagnóstico correto define o tratamento adequado.
O que pode piorar a dermatite e a psoríase?
Diversos fatores podem iniciar ou agravar ambas as condições, como:
- Estresse emocional
- Falta de sono
- Obesidade e sedentarismo
- Clima frio ou seco
- Infecções
- Uso inadequado de produtos na pele
- Falta de adesão ao tratamento
Por isso, o cuidado vai além de medicamentos e envolve hábitos de vida e constância.

Tratamento: existe cura?
Dermatite tem cura?
Na maioria dos casos, a dermatite não tem cura definitiva, mas pode ser muito bem controlada.
O tratamento envolve hidratação adequada da pele, identificação e afastamento de gatilhos, além de medicamentos tópicos ou sistêmicos, quando indicados.
Psoríase tem cura?
A psoríase também não tem cura, mas atualmente existem tratamentos altamente eficazes, capazes de controlar os sintomas e melhorar completamente a qualidade de vida. Dependendo da gravidade, podem ser utilizados tratamentos tópicos, fototerapia, medicamentos sistêmicos e terapias imunobiológicas.
Por que o tratamento deve ser individualizado?
Cada paciente é único. O tratamento depende de fatores como:
- Tipo e gravidade da doença
- Idade
- Estilo de vida
- Presença de outras doenças
- Impacto na qualidade de vida
Por isso, não existe um único tratamento que funcione para todos.
Quando procurar um dermatologista especialista em psoríase e dermatite?
É recomendado buscar avaliação dermatológica quando houver:
- Lesões recorrentes ou persistentes
- Coceira intensa ou contínua
- Falta de melhora com os tratamentos atuais
- Dúvidas sobre o diagnóstico
- Impacto emocional, social ou profissional
O diagnóstico correto é o primeiro passo para um tratamento eficaz.
Informação ajuda, mas não substitui consulta médica
Buscar informação é importante e empodera o paciente, mas o diagnóstico e o tratamento devem sempre ser feitos por um dermatologista. A automedicação ou o uso de receitas prontas da internet pode mascarar sintomas, atrasar o diagnóstico ou até piorar o quadro.

Conclusão
Dermatite, dermatite atópica e psoríase são doenças de pele diferentes, com causas, tratamentos e evoluções distintas. Por isso, o diagnóstico correto e o acompanhamento médico fazem toda a diferença nos resultados.
Essas condições podem impactar não apenas a pele, mas também o bem-estar, a autoestima e a qualidade de vida. Com orientação adequada, tratamento individualizado e acompanhamento contínuo, é possível controlar os sintomas, reduzir crises e viver melhor.
Cuidar da pele não é apenas tratar o que aparece. É olhar para a saúde de forma completa, com atenção, constância e base científica.
Agende sua consulta
Doenças inflamatórias crônicas da pele exigem mais do que abordagens genéricas. Elas pedem experiência, escuta e acompanhamento real ao longo do tempo.
Minha atuação em dermatite atópica e outras doenças inflamatórias da pele, aliada à formação em centros de referência e à vivência prática com esses pacientes, permite oferecer um cuidado mais individualizado, com decisões baseadas em ciência e na realidade de cada pessoa.
Se você busca um acompanhamento dermatológico cuidadoso, contínuo e focado em resultados sustentáveis, agende sua consulta comigo e tenha um cuidado direcionado para a saúde da sua pele.
